
Markdown: menos software, mais escrita
Miguel Abambres
Actualizado a 12 de Julho de 2026
Publicado a 18 de Junho de 2025
Office e os seus problemas
O Microsoft Word é seguramente dos editores de texto mais usados globalmente; originalmente pertencente ao pacote de aplicações Microsoft Office, actualmente pertence ao Microsoft 365. Estas aplicações sempre foram pagas e fechadas, ou seja o respectivo código de programação não é escrutinável. Sendo aplicações que funcionam offline, nunca tiveram grande controvérsia durante a maioria da sua vida. No entanto, a aumento do poder e domínio comercial da empresa proprietária (Microsoft) deveria colocar-nos a reflectir sobre a necessidade de continuar a alimentar insustentável império.
O advento da inteligência artificial generativa e o lançamento do Windows 11 foram a gota de água, levando-me não só a abandonar o Office como também o sistema operativo Windows, pois passaram a estar inundados de inteligência artificial, nomeadamente através do Microsoft Copilot.
Mas há alternativas sustentáveis? Há quase sempre, basta educarmo-nos e não ficar sentados à espera que o Estado, as instituições de ensino ou os mass media ponham o Homem acima do lucro. Em seguida apresento a minha recomendação para substituição do Microsoft Word na edição de texto. Se precisar mesmo de usar aplicações semelhantes às do Office, sugiro o pacote LibreOffice (gratuito, open source e 100% compatível com os formatos de documentos da Microsoft – e.g, docx, xlsx, pptx).
Markdown
O Markdown, criado em 2004 por John Gruber, são duas coisas: (i) uma linguagem simples de marcação/formatação de texto, e (ii) um pedaço de software que converte o texto marcado em HTML – a linguagem de marcação usada na construção de páginas web.
Numa aplicação do tipo Microsoft Word, o utilizador clica em botões para formatar palavras e frases, e as alterações são imediatamente visíveis. Com Markdown, pode adicionar sintaxe de formatação em qualquer ficheiro de texto; por exemplo, **assim** será convertido em assim após processamento. Eis aqui uma ferramenta desenvolvida por Gruber onde pode experimentar aplicar alguma sintaxe do Markdown (como a referida do lado direito dessa página) ao texto que escrever na caixa Markdown Source. Não se esqueça de clicar em Convert no final, e de pedir pelo menos o Preview na opção Results.
As principais vantagens do Markdown:
– gratuito e open source;
– minimalista;
– portável: ficheiros de texto .md ou .markdown (criados usando aplicações simples do tipo notepad) contendo texto formatado com Markdown podem ser abertos por inúmeras aplicações e visualizados em tempo real ou convertidos em HTML ou PDF;
– independente do sistema operativo.
Sintaxe
Para aprender a sintaxe do Markdown, recomendo que começe por este tutorial interactivo. Aspectos a não esquecer:
– Não deixe espaços em branco no início de um parágrafo.
– Use *** ou ___ para criar uma linha horizontal.
– Deixe uma linha em branco antes e depois de parágrafos, blocos de citação ou linhas horizontais.
– Para mudar de linha, termine com dois espaços em branco e pressione Enter.
– Use \ antes de um caractere que não queira que seja tomado como sintaxe de formatação.
– Esta é a sintaxe para construir uma tabela 3×3 com conteúdos alinhados à esquerda na 1ª coluna, centrados na 2ª e alinhados à direita na 3ª:
| Título 1 | Título 2 | Título 3 |
| :----- | :-----: | -----: |
| blabla 1-1 | blabla 1-2 | blabla 1-3 |
| blabla 2-1 | blabla 2-2 | blabla 2-3 |
Editores de texto
Cada editor de texto com Markdown pode implementar uma variante própria da sintaxe original. Cabe-lhe a si aprendê-la através da documentação ou informação fornecida pela aplicação. Recomendo o popular programa para computador e de código aberto, MarkText. Se não quiser instalar nada no seu PC, poderá sempre recorrer a aplicações web como a StackEdit ou a Dillinger, ambas de código aberto.