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O bem que o silêncio faz

Miguel Abambres

Actualizado a 7 de Julho de 2026

Publicado a 2 de Agosto de 2025

O silêncio é a ausência de barulho – não de som. Há um consenso crescente, desde as neurociências à cardiologia, sobre a séria ameaça do barulho para a saúde e cognição. Pitágoras viu na prática de estar em silêncio um pré-requisito de toda a sabedoria¹. Apresentam-se em seguida alguns dos mais importantes benefícios do silêncio, sustentados pela ciência.

A criatividade é um enorme benefício do silêncio e da quietude (…) A zona de inspiração necessita que a mente esteja calma e relaxada, e o corpo precisa de estar em 2º plano.

Maggie Dent

Um estudo em ratos realizado em 2013 concluiu que acalmar a mente pode estimular o crescimento cerebral. Os investigadores verificaram que quando os ratos eram expostos a duas horas de silêncio por dia, eles desenvolviam novas células no hipocampo – a região do cérebro ligada à memória, emoções e capacidade de aprendizagem².

Se quisermos compreender alguma coisa, precisamos nos dedicar ao silêncio.

Federico Fellini

Atendendo a que, segundo alguns especialistas, a diminuição de neurónios no hipocampo conduz à doença de Alzheimer, o silêncio poderia ser uma forma de tratamento da doença. O neurologista Pablo Irimia apontou que uma vida intelectual activa, a qual exige concentração e, consequentemente, silêncio, desempenha um papel protetor contra distúrbios neuronais³.

O cérebro necessita de tempo para pensar, reflectir e descansar. Necessita de tempo para gerar espaço para nova informação. Se cada um praticar silêncio durante o dia, estará a dar ao cérebro melhores condições para processar qualquer nova informação que possa surgir². Um estudo de 2001 realizado por neurocientistas da Universidade de Washington descobriu que havia uma função cerebral denominada “modo padrão”, a qual faz com que um cérebro “em repouso” ainda esteja em ação, constantemente absorvendo e avaliando informação⁴.

A Organização Mundial da Saúde publicou um relatório que revelou que 3000 das mortes por doença cardíaca ocorridas na Europa Ocidental em 2011 tinham relação com o ruído excessivo (acima de 65 decibéis é considerado perigoso)³.

A poluição sonora está relacionada com surdez, problemas de sono, doenças cardiovasculares e distúrbios digestivos. Sabe-se também que os jovens que vivem num ambiente ruidoso têm a sua capacidade de memória e de aprendizagem alterada.

Pablo Irimia

Pablo Irimia aponta evidências indiscutíveis: o silêncio facilita o controle da pressão arterial, prevenindo doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais, e predispõe aos benefícios de uma vida reflexiva³. Um estudo de 2006 verificou que apenas 2 minutos de silêncio podem ser mais tranquilizantes que ouvir música relaxante, o qual foi atribuído a mudanças na pressão arterial e na circulação sanguínea para o cérebro² ⁴.

Referências

1. Zorn J, Marz L (2022). How Listening to Silence Changes Our Brains, Time. Arquivo.

2. Cox J (2022). The hidden benefits of silence, PsychCentral. Arquivo.

3. Moreno A (2016). “Quer calar a boca?”: a importância de desfrutar de duas horas de silêncio por dia, El País. Arquivo.

4. BBC News Brasil (2019). Silêncio, por favor: ausência de barulho pode turbinar o cérebro e a criatividade, BBC News Brasil. Arquivo.

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